Barco em Koh Ma

Medo, Vergonha e Culpa

Umas das coisas mais legais de viajar é conhecer pessoas, mas grande parte delas apenas passam por nós. São algumas que realmente valem a pena sentar, conversar, trocar experiências e absorver conhecimentos.

Em Khao Lak, conhecemos Jim, um senhor de 80 e poucos que se deu o direito de ter uma aposentadoria mais cedo que o comum, logo após se formar. Ele viajou o mundo, voltou aos 30 anos, constituiu família com a qual viveu até os 50 anos, idade que abandonou tudo e voltou para sua casa: o mundo.

No Live Aboard também conhecemos um jornalista canadense que trabalha para uma organização mundial que suporta crianças, famílias e comunidades, combatendo a pobreza e a injustiça. O mergulho para ele, é uma das formas que encontra para esquecer as tragédias que sua profissão o obriga a cobrir.

Final do dia de mergulho nas Similan Islands
Final do dia de mergulho nas Similan Islands

Entre um mergulho e outro, conversamos bastante sobre diferenças culturais entre o oriente e ocidente. Ele nos introduziu a uma teoria social que divide o mundo em três grandes blocos, de acordo com o código de conduta:

Medo e Poder

Vergonha e Honra

Culpa e Inocência

Nós, no Ocidente, como deduzimos de imediato, vivemos sob o regime de Culpa e Inocência. Vivemos com a cosciência pesada, e com medo de sermos julgados. A prova disso é quando um chefe nos chama para conversar ou quando um policial nos para no trânsito, nosso primeiro instinto é pensar “O que fiz de errado?”.

Medo e Poder é o estado padrão de muitos povos africanos, onde milícias armadas controlam nações inteiras por ações terroristas, assassinatos, estupros e sequestros.

Já nos países asiáticos, predomina a Vergonha e Honra, o que é fácil de perceber se lembrarmos do ministro japonês que cometeu suicídio por estar envolvido em  um escândalo de corrupção. É nesse ambiente que estamos vivendo agora, 50 dias após chegarmos na Tailândia.

Existe uma palavra no vocabulário tailandês, algo que soa como “Grimtchai” que tem como significado “poupar o próximo para não gerar incômodo”. Tudo o que eles não querem é incomodar alguém, então farão o máximo para não se estressarem e nem aos outros. Um exemplo, foi um acidente de moto que presenciamos. Os dois levantaram do chão sorrindo, trocaram algumas palavras, levantaram suas motos e saíram dirigindo como se nada tivesse acontecido.

Mas em contrapartida, nunca pise num calo tailândes. Eles levam a questão de honra muito a sério, e se sentirem-se desrespeitados, a situação pode ficar complicada.

Considerando tudo isso, o que mais nos surpreende aqui é a honestidade das pessoas. Nunca recebemos um troco errado, o preço que pagamos para comer na rua é o mesmo que os locais, e apesar de termos uma câmera roubada em Banquegoque, a Tailândia é um país impressionantemente seguro. Diversas vezes deixamos computadores em cima da mesa, sem ninguém ao redor, e fomos ao 7Eleven comprar algo para comer. Câmera fotográfica já passou a noite no salão vazio do hotel e no dia seguinte estava no mesmo local.

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Author: Igor e Kris