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Primeiras horas em Varanasi

Chegou a vez de Varanasi, a cidade que mais se ouve falar aqui na Índia. Quase todos que vem pra esse país sentem-se obrigados a passar pelo menos 1 noite aqui.

Ouvimos histórias de pessoas que vieram pra cá e saíram correndo, e de pessoas que choraram dias depois de ver o que a cidade tinha a oferecer. Mas também ouvi histórias de pessoas que vieram apenas para conhecer mas levaram anos para sair daqui.

Sabíamos o que esperar, mas não fazíamos ideia de como iriamos reagir. Será que três semanas de Índia teriam sido suficientes para nos aclimatarmos?

Ficamos hospedados na margem do Rio Ganges, relativamente próximo ao “mais gath”, ou principal ponto de banho para os hindus. A primeira coisa que nos chamou a atenção, é que a cidade é tranquila demais para os padrões indianos. Ela é movimentada ao extremo, com gente demais, mas a confusão aqui acontece de forma ordenada.

Rio Ganges em Varanasi
Rio Ganges em Varanasi

Zack, um americano que conhecemos em nossa Guesthouse, nos mostrou algumas coisas por aqui e em nosso segundo dia, fomos tomar um Lassi. Lassi é uma espécie de iogurte, geralmente misturado com frutas e eu e a Kris escolhemos um de maçã para dividir.

Lassi de maçã
Lassi de maçã

Enquanto esperávamos, começamos a ouvir pessoas murmurando algo como “Ram-ram, ram-ram, ram-ram” e em menos de um minuto, passou uma procissão em frente de onde estávamos. Olhamos e entendemos o que estava acontecendo. Pessoas carregavam um cadáver coberto, mas com a cabeça a mostra e virada para a nossa direção. O corpo era levado para a margem do rio Ganges para ser cremado. E foi assim que tomamos nosso Lassi: vendo algumas pessoas mortas passar por nós.

Acabamos o Lassi e fomos para o Ganges, e caímos exatamente onde os corpos são cremados. É dificil descrever o que se seguiu, mas presenciamos a preparação do corpo, a montagem da pira, e até quase a metade do processo todo, momento em que não havia mais motivo para ver um cadáver carbonizando e preferimos vir embora.

Preparação para cremação a beira do Rio Ganges
Preparação para cremação a beira do Rio Ganges

Conversando com um indiano, descobrimos que algumas pessoas não são cremadas, são elas: os leprosos,  pessoas com varíola, as crianças, as grávidas e os homens sagrados. Elas são ou enterradas, ou jogadas diretamente no rio Ganges. As que vão para o rio, são as que ainda precisam ser purificadas dessa vida. Além disso, fomos informados que são usados 200kg de madeira por corpo cremado, e que todo o processo custa aproximadamente 25.000 rupias indianas.

Lenha usada na cremação
Lenha usada na cremação

Depois de tudo o que passamos, algumas coisas começaram a se encaixar, e foi impossível evitar o pensamento de que a cidade é tranquila como sentimos, por se tratar de uma cidade mortuária. Muitos indianos vem para Varanasi quando sentem que estão perto da morte, e começam a preparar-se para o fim dessa vida. É como se tudo fosse tranquilo para garantir que esses estejam em paz em seu momento de partida.

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